domingo, 27 de março de 2011

Introdução

Já diza um provérbio antigo que, para se sentir completo e realizado, todo homem precisa plantar uma árvore, escrever um livro, e ter um filho - não necessáriamente nesta ordem. Nunca descobri quem foi o autor dessas afirmações, mas sei que hoje a coisa funciona, ironicamente, ao contrário.

Plantar uma árvore é tão simples que até um passarinho o faz - e para isso só precisa fazer cocô. O difício é derrubar uma. É tanta burocracia que a natureza até agradece.

Escrever um livro todo mundo faz quando tem um blog com pelo menos duzentos posts. Daí é só escolher uma gráfica ou editora e fazer a distribuição da versão impressa. Tem gente que publica livros e nem mesmo sabe acentuar as palavras ou colocar as vírgulas no lugar certo. O computador faz tudo isso por você. Agora ler todos os livros que você queira ou precise ler - no mundo corrido de hoje - isso sim é um grande feito.

E ter um filho? Agora que não existem mais dotes e nem namoro de porta, o mais difícil é passar pela adolescência e pela fase adulta sem fazer pelo menos um. Mesmo com tantos métodos contraceptivos, ainda preferimos à maneira cristã. O problema é: Segundo a Organização Mundial de Saúde, o índice médio de gravidez planejada, nos paises em desenvolvimento, é de apenas trinta porcento.

Eu estava indo bem nesse sentido. Não por não querer ter filhos, mas porque não me sentia preparado. Como a maioria de vocês, eu me sentia um garoto de trinta anos. Queria acumular patrimônio e experiência antes de formar uma família. Somos uma geração de homens criados pelas mães, que nos ensinaram (ou pelo menos tantaram) a não sermos relapsos como nossos pais. Mesmo assim não nos sentimos donos de nossos destinos, mas que poderíamos moldar nosso futuro de acordo com nossos sonhos. É quando de repente vem aquela notícia de que vou ser pai.

Todo ano eu pensava: daqui a cinco anos irei me casar e fazer um bebê depois de um ano de casamento. Agora a contagem é de nove meses - ou quarenta semanas. Aquele papel envelopado do laboratório iria tomar a iniciativa de dizer qual seria meu futuro. Continuo não me sentindo dono de meu próprio destino. Mas pelo menos já tenho uma idéia do que ele irá girar em torno.

Qual o primeiro resultado que essa notícia causa? Um frio na barriga que não para após os primeiros dias, e que provavelmente se estenderá pelas próximas semanas. A primeira vontade é ligar para todos os amigos que já são pais e perguntar "como é que é" - na esperança de ouvir palavras de tranquilidade e sabedoria - e ao invés disso eles te encarnam e te metem medo. Amigo é pra essas coisas.

Como todo bom homem que naufragou em uma ilha deserta ou que ficou preso em uma mina de carvão soterrada ou até mesmo foi parar na solitária de uma prisão e perderam a chave da porta, eu decidi registrar cada momento importante, desde a gravidez de minha parceira até os primeiros meses de cuidado com a criança e o ambiente ao redor dela, na esperança de estar no caminho certo, e de poder indicar este caminho a outros milhares de garotos-homens-papais iniciantes nesta jornada.

Que Deus nos Proteja!